A "Existência Programada" representa uma mudança radical na gestão da vida humana, especialmente em um mundo onde a longevidade foi expandida a níveis antes inimagináveis. A combinação de avanços médicos e tecnológicos trouxe benefícios imensos, como a erradicação de doenças fatais e a extensão da vida, mas também colocou a sociedade diante de desafios sem precedentes, como o esgotamento de recursos naturais devido ao crescimento populacional contínuo.
Com a introdução do "Tempo Base", estamos observando um experimento social e biopolítico sem igual, onde a vida humana é literalmente contabilizada e ajustada com base no comportamento individual. Este sistema, que atribui 120 anos de vida como ponto de partida, premia ações virtuosas e penaliza comportamentos prejudiciais, substituindo as tradicionais penas de prisão por uma redução direta na expectativa de vida.
Essa abordagem levanta questões éticas complexas. Por um lado, ela incentiva a construção de uma sociedade mais ética e consciente, onde cada pessoa é responsável por suas escolhas e suas consequências diretas. Por outro lado, a existência de um sistema que controle a longevidade de forma tão direta coloca em questão a liberdade individual, o controle estatal sobre a vida e a morte, e os critérios que determinam o que é considerado "bom" ou "ruim" para a sociedade.
A implementação desta medida em todos os países, com regras padronizadas no Sistema Único, indica um grau de centralização e controle que pode ser preocupante. A questão da autenticidade nas ações também é crucial, pois a simulação de bondade é severamente punida, sugerindo que o sistema tem mecanismos sofisticados para detectar intenções e avaliar comportamentos de forma profunda.
A "Existência Programada" pode moldar um futuro onde a moralidade é monitorada e a sobrevivência depende de conformidade com normas sociais estritas. No entanto, a forma como esses critérios serão aplicados, e as possíveis resistências que podem surgir, serão determinantes para o sucesso ou fracasso desse experimento em escala global. A humanidade se encontra em uma encruzilhada, onde o controle sobre a vida pode trazer tanto a utopia quanto a distopia. Como reagiremos a essa nova realidade determinará o curso de nosso futuro coletivo.
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